Quinta-feira, 30 de Junho de 2005

Novamente a morte....

Ele saiu de casa à pouco....o meu ultimo pensamento foi: "Vou-me matar...tomas conta do nosso filho? Tomas BEM conta dele? Prometes?"
Entrou dentro do computador e disse que "acidentalmente" tinha acedido a uma mensagem de um amigo meu...um grande amigo meu de quem ele não gosta, em que dizia para eu o deixar e fazer queixa à policia se houvesse nova agressao fisica. Disse-me que se o voltasse a ver que lhe batia!...
Ontem cheguei a casa ao fim do dia. Passei o dia todo fora com os meus pais. Fez-me bem. Fui a duas consultas em Lisboa e levamos o resto do dia juntos. Foi um dia diferente e soube-me muito bem estar com eles :-) Quando cheguei a casa já o meu companheiro tinha posto o filhote na cama (já tinhamos falado entretanto).
Começou tudo mal. Quando o tentei cumprimentar virou-me ligeiramente a cara....mas cheirou-me na mesma....tresandava a alcool....
Um humor péssimo.
Disse que não era nada comigo.
Eram quase 22h00 disse que ia à rua. Insisti para saber onde ia. À rua...simplesmente. Não me disse onde ia.
Fiquei em casa...a pensar.....a imaginar....a corroer-me.
Iria recair?...teria ido "comprar" e voltar tudo ao mesmo?
Teria ido beber mais?
A que horas chegaria a casa?
Chegou perto da meia-noite.
Foi para a sala.....nem o vi.....nada me disse.
Passado um bocado fui ter com ele e perguntei se havia algo para falarmos.
Nada..."tens alguma coisa a dizer?"
Não....tambem não tinha...se ele não queria falar....àquela hora eu tambem já não queria dizer nada.
Deitei-me primeiro....o toque dele na minha pele tornou-se insuportavel ao ponto de ter de tomar um comprimido para dormir....nao conseguia sossegar tamanha era a ansiedade.
Hoje de manha fui acordada quase aos gritos porque tinha que tomar o pequeno almoço e os comprimidos.....e vestir o pequenino!
Disse-lhe para nao me acordar assim...acordo sobressaltada! Tinha tomado aquele comprimido para dormir (alem do xanax e dos outros) e precisava sossegar mais um pouco e nao ser assim, acordada aos gritos. "Mas tens de o ir vestir porque ainda nao tomei o pequeno almoço!!!".
Mas eu estaria a ter um pesadelo ou aquilo estava mesmo a acontecer?? Não existe respeito! Eu estou de baixa! Não estou de férias! Preciso sossegar. Tomar a medicação e conseguir que faça efeito e nao andarem comigo aos gritos esperando que eu tenha o almoço pronto a horas, que nao esteja a dormir, que esteja acordada a tempo, que tenha a casa arrumada.....
Perto da hora de almoço enviou-me sms:
"Desculpa o meu comportamento. A minha doença tem-me atacado. Só por hoje não vou beber. Beijo"
Agora, enquanto aqui estava, tinha o tlm na cozinha e náo o ouvi tocar, entretanto enviou-me esta sms:
"Lamento que não tenhas atendido o tlm. Era apenas para te dizer que eu não ando bem. Queria apenas para te dizer para não dares muita importancia àquilo que eu disse na hora de almoço. Tenho a minha doença muito activa. Tu não tens culpa mas acaba por sobrar para ti. Se tiveres disposição procura na Net os horarios das reuniões dos AA nas proximidades. Hoje preciso de fazer uma reunião. Sinto que estou por um fio. Preciso de fazer alguma coisa antes que seja tarde demais. Podes ajudar? Basta que digas a hora e o local da reunião. Estou a começar a ficar desesperado com os meus pensamentos. Apesar de não me fazerem qualquer sentido por vezes parecem ser a única solução"


Os cortes começam a nao ser nada.....






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Partilhado por Sentida às 15:18
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5 comentários:
De Enviado por a 2 de Julho de 2005 às 11:58
Bom, Lunar, em primeiro lugar pensei em corrigir todos os seus erros respeitantes à língua portuguesa e à sua estrutura, mas levaria demasiado tempo e não surtiria qualquer efeito, suspeito. Em segundo lugar, sugiro que releia os meus comentários anteriores. Não tenho absolutamente nada contra a Sentida. Pelo contrário. Lamento que se encontre na situação em que se encontra. No entanto, revolta-me que nada faça, para além de se lamentar constantemente, para se ajudar a si mesma, ao companheiro e, principalmente, ao seu filho. Acredito que ela seja uma óptima pessoa, mas está doente. E se está doente, tem que se tratar e o tratamento não passa pela auto-comiseração. Se a própria já admitiu que não pode tomar conta de si própria, como tomar conta de uma criança? Por vezes, os pais são tão egoístas que nem sequer pensam no que os seus actos podem fazer aos seus filhos no presente e no futuro. A criança já não é um bebé e apercebe-se de muito mais do que aquilo que os pais calculam. Se, e Deus não permita, a criança daqui por uns tempos se mostrar agressiva, deprimida, tiver problemas de aprendizagem e enveredar por caminhos menos recomendáveis, será que os seus pais não sentirão que tiveram alguma responsabilidade nisso? Se ainda não se apercebeu, a criança não tardará a aperceber-se que os seus pais são diferentes. Que a mãe e o pai choram, gritam, berram. Que a mãe toma comprimidos que a deixam anestesiada, que se atira para o sofá e dorme até que alguém a acorde, que se corta e pensa em matar-se a toda a hora. Isso é positivo para a criança, não é? É um ambiente ideal para uma criança crescer, não é? Se um dia essa criança tiver problemas comportamentais e emocionais na vida, os pais e os seus comportamentos não terão nada a ver com isso, pois não? É o azar!
Amar um filho é muito mais do que fazê-lo, tê-lo e ir vendo o seu crescimento. É sacrifício no seu interesse. E talvez neste caso, a criança beneficiasse se por algum tempo fosse afastada do pai e da mãe, enquanto eles tratam deles próprios. Para o seu próprio bem. Amar não é sujeitar uma criança a assistir ao que esta criança tem assistido. Esta criança merece muito mais. E por mais compreensão que tente ter com os seus pais, estes são adultos e fazem as suas opções. Esta criança, não. Esta criança precisa, urgentemente, de alguém que pensa nela em primeiro lugar. Até porque por mais de uma vez, nas leituras que fiz neste blog, me pareceu que esta criança esteve realmente em perigo. Um dia, se algo acontecer, uma tragédia como muitas, a única coisa que restará será chorar sobre o leite derramado. As atitudes tomam-se antes. E eu, pelo menos, não quero ficar de consciência pesada e pensar que nada fiz nem nada disse.Boa sorte. Cláudia
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(mailto:claudiarodmatos@gmail.com)


De Enviado por a 2 de Julho de 2005 às 03:07
Sra Claudia: Peço à Sentida que me perdoe, pois n comento o seu blog apesar de o acompanhar, como outros semelhantes, com alguma regulariedade. No entanto o que me fez comentar hoje, foi a sra Claudia, cuja tentativa de juizo e critica não compreendo. Embora seja provavel mto comoda a minha posição de "se n tens nada de bom a dizer cala-te", estou disposta a ir até ao "se tens algo a apontar, aponta tb as soluções". Parece-me que não conhece Sentida, julga-a incapaz de cuidar do filho, suponho que lhe pareça uma pessoa destruturada, ou até desiquilibrada, e no entanto é a senhora qm eu vejo a ser desiquilibrada e irracional, na sua suposta "critica". O que critica, afinal? Sentida, como mãe!? Eu que como vc tenho acompanhado o blog n posso-o dados para fazer essa avaliação. Como pessoa? bem se a acha fraca ou fragil, como pode então dizer-lhe tudo o que disse? Isso sim é desiquilibrado. Alongo-me, na verdade só lhe queria dizer poucas coisas, Sra Claudia, primeiro de boas intenções tá o inferno cheio, e se Cristo n está lá, é certamente porq n atirou a primeira pedra. Queixa-se de alguem publicar que se corta, que se maltrata, que sofre, e no entanto era tão facil n vir a estas paginas... Preocupa-se com uma criança, cujo olhar (triste ou alegre) n viu, cuja rotina n conhece. Sugere q se fosse da familia tomaria providencias para tirar essa criança do seio da sua familia natural, sem saber se foi maltratada ou é, ou pelo contrário. Considera o amor q os pais certamente têm pelo filho algo prejudicial à criança. Pergunto-me se não será daquelas assistentes sociais, que passam demasiado tempo em frente ao computador a comentar blogs sobre o q fariam se... e na verdade nada fazem para mudar o q podiam mudar. Desculpe Sentida, tudo de bom para si e para o nino :)lunar
(http://agouroeagrura.blogspot.com)
(mailto:silmafre-lunar@yahoo.com.br)


De Enviado por a 1 de Julho de 2005 às 11:57
Minha cara, não estou nem numa situação nem noutra. Ainda não sou mãe, nem pretendo ser a curto prazo, nem tenho qualquer relação pessoal ou familiar com o alcoolismo, felizmente. Os problemas que tem com o seu companheiro, não me chocam de maneira alguma. Acho que são normais dentro de uma relação. O que me choca é que uma mãe que tem a reponsabilidade total por uma criança inocente, passa a vida a dizer que sente vontade de cortar-se, de matar-se e etc. Nenhuma criança pede para nascer. Nascendo, tem todo o direito de ter uma vida estável e de ser protegida de todos os modos. Não me parece que uma mãe com o seu discurso derrotista e a raiar as tendências suicidas, esteja em condições de criar um filho. Se pertencesse à sua família, há muito já teria tomado uma atitude para proteger essa criança. Nem que fosse tomar conta dela enquanto o pai e a mãe se tratavam a si mesmos. Não pretendo com isto atacá-la de forma alguma. Pretendo que reflicta e pense no futuro do seu filho. Mais cedo do que pensa o menino começará a perceber os problemas que o pai e a mãe atravessam pessoalmente e entre si. Não me parece que nem um nem outro estejam, neste momento, em condições de tratar do vosso menino. Cuidem de vós primeiro, para poderem cuidar do vosso filho depois. E boa sorte para os três.Cláudia
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(mailto:claudiarodmatos@gmail.com)


De Enviado por a 1 de Julho de 2005 às 10:59
Olá Claudia. Não a venho confrontar porque me exponho e aceito comentario, logo estou sujeita a tudo. E estou a tentar entende-la. Ou é mãe e claro que me coloco no seu lugar e ao ler um blog destes tambem estaria revoltada por haver um ser inocente que ao contrario do que provavelmente pensa está bastante protegido do que se passa e quem olha para ele vê que é uma criança mt feliz, ou em segunda hipótese, está na situação do meu companheiro (não me leve a mal a comparação pois infelizmente o Mundo está cheio de situações assim) e acha que eu não estou a ser compreensiva para ele. Que já não lhe estou a dar o apoio que ele necessita. Digo-lhe: viver com um adicto em recuperação é muito complicado. Quando ele recomeça a beber ainda é pior.....é um passo para a recaída total. Não me vê a lutar por mim? Eu estou disposta a ser internada, ficar sem ver o meu filho para recuperar forças e lutar por ele e pela minha familia. Imagina o que isso é? Espero sinceramente que não!!Sentida
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(mailto:sentida@sapo.pt)


De Enviado por a 30 de Junho de 2005 às 17:21
Peço desculpa pela minha sinceridade e espero que isto não pareça cruel, mas tenho lido tudo o que tem escrito e só vejo lamentos e nada de vontade para ultrapassar os problemas. O que realmente me preocupa não é tanto você, que é adulta e sabe ou devia saber o que é melhor para si. O que de facto me preocupa é o seu filho. Desculpe a honestidade, mas não me parece que o mereça. E alguém devia ficar com ele e tomar conta dele, porque como criança inocente e pura que é e que não pediu para nascer, tem direito a melhor sorte. Se, tal como admite, acha que não consegue tomar conta de si própria, como pode tomar conta de um anjinho inocente? Pense mais nele e menos em si e talvez encontre algumas soluções para os seus problemas. Boa sorte para si e especialmente para o seu menino. Cláudia
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(mailto:claudiarodmatos@gmail.com)


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